Poesia

Há sempre um amanhã

A vida é força indómita que em tudo habita

Uma constante oferta aos meus sentidos

Rubrica de sais colhidos no arroio inesperado junto ao mar

sem perquirição e julgamentos vãs

Visita-me a alma a suavizar a permanência passageira

Enquanto percorro o lado de cá.

Vagas de cuidados

Imperturbável ternura de olhos nus

Como se fosse uma dorna para o mosto

Lava-me o rosto, resgata-me de velhos baús.

Já fiz todos os anos desta idade que incorporo

Há relevos marcados, ondas de rugas construídas

A decifrar o indecifrável poder da vida

No turbilhão de vagas pelo tempo repetidas.

Amanhã, há sempre um amanhã!

Manuela Vieira

Manuela Vieira

Escritora, poeta e contadora de histórias.

Adoro voar com as palavras!

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