Há sempre um amanhã
A vida é força indómita que em tudo habita
Uma constante oferta aos meus sentidos
Rubrica de sais colhidos no arroio inesperado junto ao mar
sem perquirição e julgamentos vãs
Visita-me a alma a suavizar a permanência passageira
Enquanto percorro o lado de cá.
Vagas de cuidados
Imperturbável ternura de olhos nus
Como se fosse uma dorna para o mosto
Lava-me o rosto, resgata-me de velhos baús.
Já fiz todos os anos desta idade que incorporo
Há relevos marcados, ondas de rugas construídas
A decifrar o indecifrável poder da vida
No turbilhão de vagas pelo tempo repetidas.
Amanhã, há sempre um amanhã!
Manuela Vieira

Manuela Vieira

Escritora, poeta e contadora de histórias.
Adoro voar com as palavras!


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