
Aceitei o desafio. Aqui está o meu exercício:
O meu bolor
Dei por mim a macacar com o meu bolor. Não imaginava ser possível tamanha intensidade. Bum! Uma bomba! Uma implosão! Deixei de pensar. Passei a viver o momento.
Ai, o que experienciei! Senti repulsa de mim mesma. Como? - questionava até cansar.
Se fosse poeta, escreveria “Nem o tempo volta para trás/ nem em fumaça se esconde/ regozija-te pela façanha/ mexe e remexe, nem sempre sabes onde.”
Em mim um emaranhado de sentimentos, que só mesmo o autoperdão aplacará o efeito de tal pegada. Assim, com calma. Com cuidado. Como se estivesse a carregar uma bandeja de copos de cristal. Pé ante pé. Respirando. Mantendo o centro de gravidade no lugar. Aceitando. Aceitando-me frágil. Frágil e resistente. Uma força da natureza que se descobre divina.
Nem céu, nem inferno. Estava num intervalo de mim mesma. Mergulhada em silêncios inimagináveis.
Eu. E, entre bolores, a descoberta: estou no meio de Deus. Respirei. Coloquei o ponto no seu lugar e abri nova página.
Manuela Vieira

Manuela Vieira

Escritora, poeta e contadora de histórias.
Adoro voar com as palavras!


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