Poesia

Há Fomes

Há fomes que assomam.

Materializam-se na pele, nos olhos

Sem deixar espaço para a esperança, para um sorriso

Como se se tratasse de cuspidelas de fogo

De um vulcão em erupção.

Saem do imo da alma

Pulverizadas

Porque nela, não cabem mais

Cinzas mortas

A cobrir o corpo.

Há crianças que crescem na dor do abandono

Na adolescência acrescentam-se-lhes a vergonha e a humilhação

E nelas a sociedade dita regras

Para endireitá-las

Como se tivessem nascido delinquentes

Como se o mundo já não as quisesse mais.

Como se o mundo já não as quisesse mais.

Como se o mundo já não as quisesse mais.

Há fomes que assomam e não deixam espaço para mais nada

Manuela Vieira

Escritora, poeta e contadora de histórias.

Adoro voar com as palavras!

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