Há Fomes
Há fomes que assomam.
Materializam-se na pele, nos olhos
Sem deixar espaço para a esperança, para um sorriso
Como se se tratasse de cuspidelas de fogo
De um vulcão em erupção.
Saem do imo da alma
Pulverizadas
Porque nela, não cabem mais
Cinzas mortas
A cobrir o corpo.
Há crianças que crescem na dor do abandono
Na adolescência acrescentam-se-lhes a vergonha e a humilhação
E nelas a sociedade dita regras
Para endireitá-las
Como se tivessem nascido delinquentes
Como se o mundo já não as quisesse mais.
Como se o mundo já não as quisesse mais.
Como se o mundo já não as quisesse mais.
Há fomes que assomam e não deixam espaço para mais nada


Manuela Vieira

Escritora, poeta e contadora de histórias.
Adoro voar com as palavras!


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